Eu tenho um grandissíssimo problema com conspiracionismo. Sempre acho que no fundo todos estão tramando alguma coisa pra mim. Uma espécie de trauma, sei lá eu. Às vezes, os meus medos conspiracionistas não fazem o menor sentido mas nem por isso deixam de ser extremamente aguçados. Tão aguçados que me agoniam, me sufocam, matam a minha razão. Meu inconsciente estupra meu consciente. Meu cérebro estaciona os pensamentos e aciona os sentimentos. Qualquer mínima coisa é um sinal de conspiração; desde uma brincadeira ou uma palavra até um descuido ou uma atitude inpensada. Coisas sem a menor má-intenção e sem a menor importância, tem em mim uma repercussão muito maior do que a realidade. Sou como uma pseudo-visionária: sempre vejo a coisa além da coisa, mas o que eu vejo, na maioria das vezes, é falso e negativo. Houveram poucas vezes que eu acertei - que eu preferia até ter errado - mas todas as outras eram invenção da minha mente super fértil e traumática. Eu crio problemas onde não tem, e o que era para ser maravilhoso, o que tinha tudo pra dar certo acaba dando errado porque eu o tornei errado e eu transformei um problema inexistente em existente. Algo pequeno que aconteceu há meses, me dói muito mais do que deveria (na verdade, não deveria doer), e o pior: eu tenho que aguentar a dor ilógica sozinha, não posso nem reclamar porque simplesmente não passa de frescura, aos olhos dos outros e aos meus também. Esse é o mais incompreensível: eu sei que é frescura, mas não importa o quanto eu tenha certeza disso, não pára de doer nem diminúi a intensidade da dor. Ao menos eu posso chamar de frescura quando eu tomo proporções bem maiores para algo pequeno que já aconteceu, e quando não aconteceu? Quando nunca aconteceu nada (pelo menos não com tal pessoa) e eu sempre acho que mais cedo ou mais tarde essa pessoa vai acabar fodendo meu cu com areia, sal e sem cuspe? Nunca entendo o porquê de tanta insegurança. Não consigo confiar nas pessoas. Eu sou incompatível com seres humanos. Penso que todos são maus, todos são egoístas, todos são incondicionalmente ambiciosos, todos são filhos da puta. Vai ver é porque talvez eu seja assim. Será? Medo, muito medo. Por isso que eu digo e repito: pensar demais faz mal à saúde mental. Comecei o texto me auto-diagnosticando uma complexada traumática conspiracionista e acabei como uma filha da puta. Mas é bom, sabe? Auto-conhecimento e tal. Pelo menos eu levo aquela chacoalhada sensual na cabeça e acordo logo pra vida, ao invés de procurar doença pra tudo e colocar a psicologia onde não passa de uma boa e velha dose de filhadaputagem. Ótimo, eu já sei que o segredo para ser alguém melhor e viver melhor é o tal do auto-conhecimento. Ok, me conheci, tenho a porra do auto-conhecimento na minha mão, mas e aí? Comofaz? Vou jogar baseball com ele? Não sei o que eu faço. Ou até sei. Tenho duas opções:
1- Entrar numa crise existencial depressiva porque eu descobri que sou uma filha da puta;
2- Jogar um balde de vodka gelada (sim, porque eu sou blazé) na merda da minha cara e mudar logo de vez.
A primeira é muito mais fácil. É sempre mais fácil colocar a psicologia no meio da filhadaputagem. Principalmente quando a gente tem uma facilidade incrível de encontrar defeitos e uma dificuldade terrível de encontrar qualidades. Só conheço uma qualidade minha: escrevo bem. Só. E nem é lá essas coisas, dá pra enrolar. Humildade, modéstida... pff. Nem vem falar que essas são qualidades minhas porque não são meeeeesmo. (PAUSA PARA UM COMENTÁRIO: reparem que eu fugi completamente do tema do texto. Nem escrever direito eu consigo. ¬¬) Se eu faço alguma coisa boa me exibo pro Satanás e o mundo, jogo a humildade direto na privada e dou descarga três vezes que é pra ter certeza que ela não volta. O meu problema definitivamente não é humildade. A verdade é que eu não consigo enxergar as minhas qualidades. (...) Caralho, isso tá me incomodando bastante. Vou voltar a falar sobre o assunto inicial, se não daqui a pouco eu me convenço que nem na desgraçada do vestibular eu passo com uma redação. Bom, pois é, pensar que a minha vida é uma merda e ficar toda emuxa pelos cantos achando que eu sou excluída pela sociedade é o caminho mais fácil, porém não o melhor. Uma vez me ensinaram que o melhor caminho é sempre o mais difícil porque ele sempre traz bons frutos, e o melhor deles é a tão requisitada experiência. Sem contar que, vamocombinar, se é fácil demais é porque não é bom o suficiente. Nota-se pelos homens e mulheres fáceis. E é óbvio que é bem melhor eu levantar a cabeça e correr atrás do tempo (vida) perdido do que ficar cheia de mimimi por aí. Eu mudando e me tornando menos egoísta e mais altruísta posso me dar muito melhor com as pessoas. "Nem tudo na vida é olho por olho e dente por dente". Lógico. Não vou ser a pessoa mais feliz e saltitante do mundo porque sou alguém melhor, mas é só usar probabilidades: eu posso receber mais em troca do quê de graça. Mais uma regra da vida que a Dona Gabriela não aprendeu. Nada é de graça. Pois é, tem um amigo meu aí que eu conversei com ele num desses sábados regados a Red litros, que é uma pessoa incrível. Não vou expor as questões pessoais dele aqui, mas basta saber que ele é incrível. Já se fodeu muito, se fode muito e tá aí na atividade, firme e forte na luta (Marcelo D2 e Charlie Brown Jr. estão presentes) sem perder a esperança e a confiança em todas as pessoas. Repito: TODAS as pessoas. Sem contar a força de vontade do caralho que ele tem. Chega a ser paranormal. E eu invejo ele. Ele pode se foder o quanto for mas sempre vai ter alguém(s) aí pra ele. O Lucas também é assim. E eu?! Se eu me fodo, fico na merda legal. Toma bixinha, você não é a fodona? Não pensa só em si mesma? Não se preocupa só consigo? Só faz por si? Agora TE FODE. Aproveita e pede ajuda pra você mesma te tirar da merda, vai. Desde os meus poucos anos de vida as pessoas me chamaram de egoísta. E assim é, até então. O egoísmo toma conta do meu ser. Eu tenho que me ver sozinha no fundo do poço, perdendo a única pessoa que me aguenta, pra dar aquele 'alooouu, muda, féla da puta!'. Essa merda nunca me levou à nada, nunca me deu nada; só desgraça.
Conclusão (URI!): as pessoas podem até ser filhas da puta, mas eu sou mais. Eu posso até ter medo delas, mas é bom ter medo de mim mesma primeiro. A conspiração vêm de você contra você, não dos outros. Mude. :)
Charme mais caro
Há 17 anos


2 comentários:
:* te amo muito :\
Nossa, parece que eu escrevi este texto sobre mim mesma. Incluindo a parte da redação e o cacete. Pena que não tem um final feliz :/
Você nem deve ler isso, foi escrito em 2008, mas eu precisava comentar isso.
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